Opresidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio a uma crise financeira e política desencadeada pela quebra do banco digital Ueno Bank. A decisão, apresentada como uma medida para preservar a estabilidade do país, ocorre após dias de protestos populares, bloqueio de contas bancárias e uma série de renúncias no comando do Banco Central paraguaio.
A saída de Peña representa o desdobramento político mais significativo da crise iniciada após a constatação de que o Ueno Bank não tinha condições financeiras de honrar seus compromissos. A instituição, que atendia cerca de 40% da população paraguaia, teve suas operações interrompidas e deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Segundo a imprensa paraguaia, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional, que deverá convocar uma sessão para analisar a decisão. O anúncio ocorre também em meio à abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Entenda como começou a crise do Ueno Bank
A crise ganhou proporções nacionais na terça-feira (3), quando autoridades reguladoras identificaram problemas de capitalização e insolvência no Ueno Bank. Diante da gravidade da situação, o Banco Central do Paraguai determinou uma intervenção na instituição financeira.
O fechamento do banco e o bloqueio de contas e investimentos provocaram uma reação imediata dos clientes. Centenas de paraguaios foram às ruas para exigir a liberação dos recursos, enquanto aumentavam as dúvidas sobre a segurança do sistema financeiro nacional.
O episódio também provocou uma crise na autoridade monetária. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e outros dois diretores renunciaram aos cargos. Paralelamente, oito executivos ou ex-executivos do Ueno Bank tiveram a prisão preventiva decretada.
Presidente minimizou problemas antes de anunciar saída
Antes de apresentar a renúncia, Santiago Peña havia minimizado publicamente as preocupações relacionadas à situação financeira do banco. Na terça-feira, o presidente questionou a cobertura da imprensa sobre os problemas da instituição, alegando que a divulgação das informações poderia provocar temor entre os paraguaios.
A postura passou a ser alvo de questionamentos diante do agravamento da crise e da dificuldade enfrentada pelos clientes para recuperar seus depósitos.
Aliado político do presidente americano Donald Trump, Peña vinha promovendo o Paraguai como destino atrativo para investimentos estrangeiros, especialmente em razão da baixa tributação. A quebra de uma instituição financeira de grande alcance nacional colocou essa estratégia sob pressão.
Renúncia abre nova fase de incerteza política
A saída anunciada pelo presidente não resolve automaticamente os problemas provocados pela quebra do Ueno Bank. A recuperação dos recursos bloqueados, a apuração das responsabilidades pela insolvência e a recomposição da confiança no sistema bancário permanecem como desafios para as autoridades paraguaias.
No campo político, caberá ao Congresso examinar a renúncia e definir os próximos passos institucionais. Enquanto isso, o país enfrenta as consequências de uma crise que começou no setor financeiro e rapidamente atingiu o centro do poder.
O episódio também amplia o debate sobre a fiscalização de bancos digitais e a capacidade dos órgãos reguladores de identificar riscos antes que comprometam o patrimônio dos clientes.