ReproduçãoFesta com a participação de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, teria participado de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, acompanhado de garotas de programa e empresários interessados em fechar negócios com o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, em plena pandemia de Covid-19.
Segundo reportagem da revista piauí, o encontro ocorreu em 17 de julho de 2020, quando o Brasil enfrentava uma escalada de mortes provocadas pelo coronavírus. Ao final do passeio, o parlamentar teria recebido um relógio Rolex de presente de um dos empresários envolvidos nas negociações para fornecer vacinas ao Ministério da Saúde.
A reportagem reconstruiu o episódio a partir de depoimentos, registros de voos, documentos obtidos por comissões parlamentares de inquérito e entrevistas com fontes que tiveram contato com os envolvidos. Entre os participantes estavam Danilo Trento, diretor institucional da Precisa Medicamentos, e Francisco Maximiano, proprietário da empresa que representava o laboratório indiano Bharat Biotech nas negociações da vacina Covaxin.
Festa com garotas de programa ocorreu durante a pandemia
Na noite de 16 de julho de 2020, quando o Brasil contabilizava 76.822 mortes por Covid-19, um jato executivo partiu de São Paulo com destino a Brasília, transportando empresários, um agente de viagens e três garotas de programa, segundo a revista.
O grupo desembarcou na capital federal às 22h12 e seguiu para um hotel. Na manhã seguinte, por volta das 10h30, os convidados começaram a embarcar em uma lancha de aproximadamente 20 metros no Lago Paranoá.
Danilo Trento, as três mulheres e o condutor da embarcação chegaram primeiro. Pouco depois, Flávio Bolsonaro apareceu acompanhado de Alexandre Santini, amigo e então sócio do senador em uma franquia da Kopenhagen, no Rio de Janeiro.
Durante o passeio, o grupo fez uma parada no restaurante flutuante Alô Grau para comprar alimentos e bebidas. A conta, de R$ 1.949, foi paga pelo agente de viagens Raphael Barão, conforme a apuração.
A revista relata ainda que Flávio desceu à cabine da lancha acompanhado de uma das garotas de programa. Segundo a publicação, outra mulher também teria passado pela cabine com o senador durante a tarde.
O encontro ocorreu enquanto o país ainda enfrentava a emergência sanitária provocada pela Covid-19, antes do início da vacinação em massa da população brasileira.
Empresário teria colocado Rolex no pulso do senador
O passeio terminou por volta das 15h. Segundo a piauí, Danilo Trento retirou do próprio pulso um relógio Rolex de pulseira prateada e o colocou no braço de Flávio Bolsonaro. O senador teria deixado o local usando o presente.
Trento era um dos representantes da Precisa Medicamentos, empresa que intermediou as negociações para a compra da vacina Covaxin pelo governo federal. A contratação tornou-se alvo de investigações e questionamentos durante a CPI da Pandemia, em 2021.
A reportagem também relembra outro episódio divulgado pelo site PlatôBR, segundo o qual Flávio teria recebido um Rolex de outro empresário, em uma situação distinta. O relógio mencionado nessa outra apuração seria um modelo Submariner Date avaliado em R$ 305 mil.
Flávio defendeu a Precisa durante a CPI
A relação entre o senador e os representantes da Precisa Medicamentos também apareceu durante os trabalhos da CPI da Pandemia. Em uma sessão com Emanuela Medrades, diretora da empresa, Flávio saiu publicamente em defesa da atuação da companhia nas negociações da vacina indiana.
“Cabe aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro público”, declarou o senador.
O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 78 pessoas, incluindo Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano. A recomendação parlamentar não equivale a uma condenação judicial. O contrato da Covaxin não foi executado, e não houve desembolso inicial de recursos públicos.
Senador também apresentou empresário ao BNDES
Em outubro de 2020, três meses depois da festa na lancha, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião virtual com Gustavo Montezano, então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para apresentar Francisco Maximiano e outro executivo interessados em financiamento para um empreendimento de telecomunicações.
O senador confirmou que havia solicitado o encontro, mas negou manter relações comerciais ou financeiras com Maximiano.
“O que eu fiz sim foi pedir ao presidente do BNDES que ouvisse uma boa ideia que foi trazida pelo senhor Maximiano, para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e Nordeste”, afirmou na ocasião.
Segundo a reportagem, nenhum financiamento foi contratado pelo BNDES.
A revista piauí informou que procurou Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e representantes de Francisco Maximiano antes da publicação. O senador não se manifestou até o fechamento da apuração, Trento interrompeu a comunicação após ser informado dos detalhes do levantamento e os advogados de Maximiano não responderam dentro do prazo estabelecido.