247 – O deputado estadual Douglas Ruas (PL) deverá ficar com cerca de 74 mil votos acima do mínimo necessário para vencer a eleição para o governo do Estado do Rio de Janeiro ainda no primeiro turno. A mudança no cenário ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir, nesta quinta-feira (8), anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) por um placar de 5 votos a 2.
Pouco antes das 12h desta quinta-feira (8), o colegiado da Justiça Eleitoral já havia formado maioria para indeferir a candidatura de Garotinho. O resultado final da votação ainda passará pelo processo de homologação e retotalização oficial por parte do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), procedimento que ainda não tem data confirmada para ocorrer.
A deliberação adotada pelo TSE alterou de forma direta o quadro eleitoral fluminense ao reduzir o montante total de votos válidos considerados no pleito. É essa base que serve de parâmetro para determinar se um postulante ao cargo obteve mais de 50% da preferência do eleitorado, condição indispensável para a liquidação da disputa sem a necessidade de um segundo turno — cenário que havia sido preliminarmente apontado pelo TRE-RJ no último domingo (4).
Com o reprocessamento dos dados a partir do encerramento da apuração, o percentual de votos válidos obtido por Douglas Ruas subiu para 50,88%. A vantagem direta do candidato do PL sobre o segundo colocado, o prefeito Eduardo Paes (PSD), fixa-se em 564.215 votos — margem que permaneceu inalterada mesmo com o descarte da votação atribuída a Garotinho. A margem de 74 mil votos diz respeito, exclusivamente, ao volume excedente conquistado por Ruas em relação ao piso exigido para a vitória na primeira etapa da eleição.
Na contagem original das urnas, com a totalização de 100% das seções, Douglas Ruas somou 4.271.199 votos, o correspondente a 49,27% do universo válido computado inicialmente. Eduardo Paes registrou 3.706.984 votos (42,76%), enquanto Anthony Garotinho obteve 274.411 votos (3,17%). Como o nome do PL não havia alcançado a maioria absoluta nos dados preliminares de domingo, o quadro indicava a realização de segundo turno entre os representantes do PL e do PSD.
A reviravolta ocorreu após o julgamento no TSE confirmar o indeferimento do registro de Garotinho, determinando o expurgo de seus sufrágios. A medida judicial não transfere os votos do ex-governador a qualquer concorrente, mantendo Ruas e Paes com as mesmas somas nominais. A alteração matemática decorre da diminuição do bolo total de votos válidos, que caiu para 8.394.627 após a subtração dos 274.411 votos computados ao candidato do Republicanos.
Pelas regras das eleições majoritárias no país, um candidato necessita da metade mais um dos votos válidos — descartados brancos e nulos — para vencer em primeiro turno. Diante do novo universo de 8.394.627 votos, a metade exata atinge 4.197.313,5. Como o sistema eleitoral não fraciona votos, a maioria absoluta é fixada no primeiro número inteiro subsequente, estabelecido em 4.197.314 votos. Como Douglas Ruas alcançou 4.271.199 votos, contabilizou 73.885 votos a mais do que a linha de corte exigida.
Apesar da confirmação matemática do resultado, a vitória de Ruas precisa ser chancelada por meio da retotalização oficial da Justiça Eleitoral. O procedimento técnico recalcula os porcentuais válidos após decisões judiciais com impacto na validação dos votos, sem demandar nova votação ou reabertura de urnas. O TRE-RJ ainda não confirmou o momento exato em que a recontagem oficial será concluída.
A impugnação de Anthony Garotinho foi imposta originalmente pelo TRE-RJ em decorrência de uma condenação por improbidade administrativa. A defesa do ex-governador recorreu ao TSE alegando o cumprimento prévio do prazo de inelegibilidade e, na véspera do julgamento, Garotinho anunciou a desistência do recurso. Contudo, o tribunal optou por julgar o mérito da ação e manteve a decisão da corte regional do Rio de Janeiro.