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Pix pode ter novas regras de segurança; entenda as mudanças
Com as novas regras, instituições que apresentarem histórico de falhas ou controles considerados insuficientes poderão operar sob restrições
Por Dulina Fernandes
Publicado em 13/07/2026 10:15
Brasil
O Banco Central analisa mudanças que podem limitar a atuação de bancos, fintechs e prestadoras de tecnologia

O Banco Central (BC) estuda novas regras para reforçar a segurança do Pix, incluindo restrições para instituições financeiras com falhas em segurança cibernética. As medidas ganharam força após uma sequência de ataques hackers que causaram prejuízos bilionários e expuseram vulnerabilidades no sistema financeiro brasileiro.

Banco Central avalia novas regras para o Pix

O Banco Central analisa mudanças que podem limitar a atuação de bancos, fintechs e prestadoras de tecnologia que não atendam aos requisitos mínimos de segurança cibernética. A proposta prevê respostas mais rápidas do regulador diante da identificação de riscos, sem depender exclusivamente dos processos administrativos tradicionais.

Entre as medidas em estudo estão a limitação de valores e horários para transações, restrições ao cadastro de novas chaves Pix e, em situações consideradas graves, a suspensão temporária do acesso ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).

Ataques cibernéticos aceleraram debate

A discussão ganhou força após uma série de ataques registrados entre 2024 e 2025. Segundo estimativas do mercado, as fraudes cibernéticas já provocaram prejuízos superiores a R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses.

O caso de maior repercussão foi o ataque à C&M Software, empresa responsável por conectar instituições financeiras à infraestrutura do Banco Central. Em 2025, hackers exploraram vulnerabilidades na empresa e desviaram aproximadamente R$ 800 milhões, em um episódio considerado um dos maiores ataques ao ecossistema do Pix.

Especialistas destacam que os criminosos não costumam atacar diretamente os grandes bancos. A estratégia tem sido explorar empresas intermediárias e instituições menores, consideradas os elos mais vulneráveis da cadeia de pagamentos.

Segurança passa a ser prioridade regulatória

Mesmo após o endurecimento das normas de segurança cibernética ao longo de 2025, novos incidentes continuaram sendo registrados. Recentemente, uma fintech sofreu tentativa de invasão, levando o Banco Central a emitir um alerta aos participantes do SPI. A MagaluPay, braço financeiro do Magazine Luiza, também informou ter sido alvo de tentativa de ataque.

Com as novas regras, instituições que apresentarem histórico de falhas ou controles considerados insuficientes poderão operar sob restrições, enquanto aquelas que mantiverem elevados padrões de segurança continuarão com acesso pleno ao Pix.

O que dizem os diretores do Banco Central

Durante evento promovido pelo Banco Central, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, afirmou que a segurança cibernética tornou-se uma questão estratégica para o Sistema Financeiro Nacional.

Segundo ele, infraestruturas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) ampliaram a eficiência e a inclusão financeira, mas também aumentaram a exposição a ameaças digitais.

Já o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, afirmou que o risco cibernético é um dos principais desafios enfrentados atualmente pela autoridade monetária. De acordo com ele, os controles de segurança devem ser continuamente revisados, testados e atualizados para reduzir a probabilidade de novos ataques.

O que pode mudar para bancos e consumidores

As novas medidas representam uma mudança de foco na regulação do Pix. Em vez de atuar apenas sobre as transações, o Banco Central pretende avaliar também a estrutura tecnológica, a governança, a gestão de riscos e o controle de fornecedores das instituições participantes.

Para bancos e fintechs, isso poderá significar aumento dos investimentos em tecnologia, auditoria e segurança da informação. Para os consumidores, a expectativa é de um sistema mais protegido contra fraudes, preservando a confiança no Pix, que, desde seu lançamento em novembro de 2020, tornou-se o principal meio de pagamento do Brasil, movimentando bilhões de transações todos os meses.

Antes da implementação, as propostas deverão ser discutidas com o mercado. O objetivo do Banco Central é encontrar um equilíbrio entre segurança, inovação e competitividade, fortalecendo um dos principais pilares do sistema financeiro brasileiro.

Fonte: Metropole

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