A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira US$ 49 mil em espécie, o equivalente a aproximadamente R$ 253 mil pela cotação atual, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em um endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), em Brasília. A ação integra a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e suas relações com agentes públicos e empresários.
Wagner, que ocupa a liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, está entre os principais alvos da operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Decisão do STF cita supostas vantagens econômicas
A operação desta quinta-feira tem como base uma decisão do ministro André Mendonça que descreve o senador como o “beneficiário central” de supostas “vantagens econômicas” concedidas por integrantes ligados ao Banco Master.
Segundo a decisão judicial, os investigadores identificaram indícios de benefícios que teriam sido disponibilizados ao longo dos últimos anos e que agora são objeto de apuração.
Entre os episódios mencionados está a suposta aquisição de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, cuja origem e circunstâncias da operação estão sendo examinadas pelos investigadores.
Também aparecem na investigação registros relacionados ao uso de aeronaves vinculadas ao grupo empresarial associado ao Banco Master.
Outro item citado é o acesso a um camarote em um show internacional realizado em Los Angeles. De acordo com a decisão, o benefício teria representado um custo estimado em R$ 63,3 mil.
Operação amplia investigação sobre o Banco Master
A nona fase da Operação Compliance Zero representa mais um desdobramento das investigações que tiveram início com suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Ao longo das apurações, a Polícia Federal ampliou o escopo da investigação para examinar possíveis pagamentos de vantagens indevidas, relações entre empresários e agentes públicos e eventuais mecanismos de influência política.
A operação também alcançou pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como personagem central do caso.
Nos últimos meses, a investigação passou a analisar não apenas operações financeiras da instituição, mas também a existência de uma rede de relacionamentos que poderia ter sido utilizada para defender interesses do banco em diferentes esferas de poder.
Senador nega irregularidades
Em manifestações anteriores relacionadas ao caso, Jaques Wagner negou ter cometido qualquer irregularidade e afirmou que jamais atuou para favorecer empresas ligadas a familiares ou grupos empresariais.
O senador também sustenta que não participou de negociações ou intermediações em benefício de interesses privados.
A investigação segue em andamento e a Polícia Federal continua analisando os elementos reunidos durante as novas diligências autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.