Com a identificação da circulação de uma nova cepa da gripe — o subclado K do vírus Influenza A (H3N2) — no Piauí, especialistas alertam para a necessidade de prevenção para evitar um surto da doença. O médico infectologista Carlos Henrique Neri explicou o processo de mutação do vírus.
“Bom, isso é uma coisa natural que ocorre permanentemente no vírus da influenza. Os vírus, de uma forma geral, têm uma taxa de erro na replicação que cria novas mutações. Além disso, eles têm a capacidade de trocar material genético entre si, compondo novas partículas virais. Isso dá uma grande capacidade de mudança periódica”, explicou.
A identificação ocorreu por meio de ações de vigilância genômica e sequenciamento viral realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí. O infectologista ressaltou que as amostras recolhidas nos laboratórios brasileiros são utilizadas na produção de imunizantes.
“É uma estratégia global de produção de vacinas baseada nos últimos vírus que circularam. Eles são recolhidos em vários locais, inclusive no Lacen, enviados para centros de referência nacionais e, depois, para centros internacionais, onde ocorre a multiplicação do vírus em ovos, utilizados na produção da vacina do ano seguinte”, afirmou.
Sobre a prevenção, o especialista destacou a vacinação como a principal forma de proteção, especialmente para pessoas com comorbidades, idosos e gestantes, grupos nos quais o vírus pode ser mais agressivo. O médico também ressaltou que, apesar das constantes variações do vírus, as vacinas aplicadas na rede pública continuam eficazes.
“A influenza, embora seja uma doença benigna em pessoas saudáveis e mais jovens, pode se tornar muito grave em pessoas com comorbidades, como doentes renais crônicos, pacientes com doenças hepáticas e cardíacas, gestantes, idosos e crianças muito pequenas. É preciso um cuidado especial com essas populações. A gripe pode resultar em infecções graves, pneumonia, otite, sinusite, entre outras complicações. As variantes são parecidas, e a vacina apresenta excelente eficácia, ainda mais diante de uma variante muito contagiosa como essa”, concluiu.
Identificação da variante
A identificação da mutação ocorreu por meio de ações de vigilância genômica e sequenciamento viral, reforçando o papel estratégico desempenhado pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí no monitoramento epidemiológico do estado.
As amostras analisadas, coletadas em fevereiro de 2026, foram classificadas no grupo genético 3C.2a1b.2a.2a.3a.1, pertencente ao subclado K, linhagem que vem registrando rápida expansão mundial desde o segundo semestre de 2025.
Os resultados laboratoriais ganham ainda mais relevância diante do aumento recente dos casos de influenza registrados em Teresina, indicando que a predominância dessa linhagem pode estar relacionada ao atual cenário epidemiológico observado na capital.