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Lula diz que Trump não deve interferir nas eleições: ‘Quem vota é o povo brasileiro’
Conversa de 3 horas entre os líderes teve como pauta organizações criminosas e tarifas no comércio
Por Dulina Fernandes
Publicado em 07/05/2026 18:11
Geral
Donald Trump recebeu Lula e comitiva brasileira na Casa Branca

Donald Trump cogita ter outros encontros com LulaRicardo Stuckert/PR - 7.5.2026

Após uma reunião de três horas com o presidente americano, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil deu um passo importante na relação com os Estados Unidos. A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa em Washington, D.C.

Lula detalhou a jornalistas que conversou com Trump sobre diferentes temas, como combate ao crime organizado, minerais críticos e terras raras, reforma da ONU (Organização das Nações Unidas) e guerras no mundo.

O presidente revelou estar muito satisfeito e otimista com os resultados da reunião e considerou o encontro como fundamental tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos, com a forte expectativa de que as pautas bilaterais comecem de fato a avançar.

 

“Eu saio daqui com a ideia de que demos um passo importante na consolidação democrática da história que o Brasil tem com os Estados Unidos”, disse Lula.

O presidente ainda comentou que a boa relação entre os países pode servir de exemplo para o mundo. “Eu comentei com ele [Trump] que a boa relação entre o Brasil e os EUA é uma demonstração de que as duas maiores democracias do continente podem efetivamente servir de exemplo para o mundo. Somos muito importantes.”

Eleições

 

Durante a entrevista, Lula afirmou que não acredita que Trump vá ter qualquer influência ou interferir nas eleições de outubro.

Ao ser questionado sobre o assunto e sobre um possível apoio de Trump à oposição, Lula respondeu que “quem vota é o povo brasileiro”.

 

“Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino, como eu vou deixar que o povo americano decida o destino deles. É isso que vai acontecer.”

Ele completou dizendo que não é uma boa política um presidente ficar interferindo nas eleições de outros países, pois isso fere o princípio básico de não permitir a ocupação política e respeitar a soberania alheia.

Combate ao crime organizado

Um dos pontos principais que foram discutidos nas três horas de reunião foi o combate ao crime organizado. Lula se referiu ao assunto como “tabu”.

“Resolvemos discutir aqueles assuntos que pareciam tabus. Sobre a questão do crime organizado, eu disse a ele [Trump] que muitas vezes os EUA falavam em combater esse problema tendo bases militares em outros países, quando, na verdade, é preciso que a gente crie alternativas econômicas para, ao invés de produzirem drogas, produzirem coisas que possamos vender e comprar”, falou.

Lula também disse que o Brasil está disposto a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul com foco em combater o crime organizado.

“É um combate que tem que ser compartilhado com todos, e o Brasil tem experiência nisso. Com um grupo de trabalho, podemos resolver em anos algo que não se resolveu em séculos”, afirmou Lula.

O presidente comentou que, durante a reunião, não tratou da possível classificação de organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como grupos terroristas por parte dos EUA.

“Não foi discutido isso [classificar organização criminosa como grupo terrorista]. Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump”, disse Lula.

Atualmente, o PCC e o Comando Vermelho são tratados internacionalmente como organizações criminosas ligadas ao narcotráfico. Caso passem a ser classificados como grupos terroristas pelos EUA, o enquadramento mudaria a forma como o governo americano pode agir contra essas facções.

Considerações de Lula

O presidente brasileiro também relembrou que, durante muito tempo, os Estados Unidos foram o maior parceiro comercial do Brasil, e que pretende firmar cada vez mais o comércio entre as duas potências.

“Foi a partir de 2008 que os americanos perderam potência e deram lugar à China. [...] É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil”, comentou ao contextualizar o mercado comercial brasileiro.

Apesar disso, o petista também criticou o posicionamento americano dos últimos anos. Para ele, os EUA deixaram de olhar para a América Latina.

 

“Ou não olhavam ou olhavam com olhar de combate. [...] E agora as pessoas perceberam a importância da América Latina nesse mundo conturbado.”

Elogios de Trump

Antes de Lula falar com a imprensa, o presidente norte-americano Donald Trump comentou sobre o encontro em suas redes sociais.

Trump afirmou que a conversa com Lula foi produtiva e se referiu ao petista como “muito dinâmico”. Além disso, o norte-americano afirmou que pode ter novas reuniões com Lula no futuro.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir determinados pontos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses, se necessário”, afirmou.

Lula citou que os acordos do Mercosul com a União Europeia fizeram parte da conversa e que esses projetos dão uma “dimensão de defesa” do multilateralismo.

“Isso dá uma dimensão de defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática pelas taxações do presidente Trump”, argumentou.

 

 

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