Foto: Tarcio Cruz/Cidadeverde.com

Trinta anos após o massacre de Eldorado dos Carajás, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra fez um balanço das ações no Piauí e destacou a manutenção da estratégia de ocupações como forma de pressionar pela reforma agrária. Em entrevista, o coordenador do MST no estado, Francisco Souza, destacou que o movimento segue ativo com quatro ocupações e 45 assentamentos distribuídos no território piauiense.
Segundo ele, o mês de abril continua sendo um período simbólico de mobilização. “Finalizando agora o nosso mês de abril, que desde há 30 anos a gente sempre faz as jornadas de luta no mês de abril, a luta pela terra principalmente, para também denunciar aquilo que aconteceu, que foi o assassinato de 21 agricultores que lutavam pela terra ali no Pará. Então, o massacre de Eldorado dos Carajás ficou reconhecido internacionalmente, que para nós o mês de abril ficou consolidado como o mês de luta pela terra”, afirmou.
No Piauí, o MST completa 37 anos de atuação, com presença consolidada em diversas regiões. Atualmente, o movimento mantém quatro ocupações, sendo três no entorno da Grande Teresina e uma no município de Miguel Leão, além de acampamentos em cidades como Nazária, Palmeirais e Parnaíba. De acordo com o coordenador, as ocupações seguem critérios prévios de análise.
“Então, a ocupação de terra é esse instrumento legítimo, garantido constitucionalmente, que as famílias utilizam para pressionar o Estado para que faça a reforma agrária nessas áreas. Importante destacar que o MST faz esse levantamento prévio, havendo indícios de irregularidade, as famílias ocupam a terra para que os órgãos competentes façam a devida análise se há ou não irregularidades”, explicou.
Entre os exemplos citados está a ocupação em Miguel Leão, onde famílias estão há cerca de dois anos em uma área que já foi alvo de ações policiais no passado. O movimento também aponta expectativa de criação de novos assentamentos, como em Nazária, onde há negociação em andamento.
Agricultura Familiar
Além da pauta fundiária, o MST destaca o avanço da agricultura familiar nos assentamentos piauienses. Regiões como o norte do estado concentram produção relevante, especialmente de arroz, com destaque para áreas de reforma agrária em Buriti dos Lopes, que contribuem para o abastecimento local.
O coordenador afirma que a produção dos assentamentos já impacta o mercado regional. “Nós estamos inclusive organizando melhor aquela cadeia produtiva do arroz para dar visibilidade, porque uma boa parte do arroz que chega na rede de supermercados aqui no estado do Piauí é oriunda da produção desses assentamentos”, disse.
O movimento avalia que, ao longo das últimas décadas, houve mudanças na forma de condução dos conflitos agrários, com maior institucionalização dos processos, mas mantém a defesa das ocupações como instrumento central de atuação.