O leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, já conta com três grupos interessados na disputa marcada para o próximo dia 30 de março. Apresentaram propostas a espanhola Aena, a suíça Zurich Airport e o consórcio formado pela Changi, de Singapura, e pela Vinci Compass, atuais operadoras do terminal.
O certame será realizado na B3, em São Paulo, e terá como critério de vitória o maior valor de outorga. O lance mínimo foi estabelecido em R$ 932 milhões, além da exigência de pagamento de 20% do faturamento anual à União até o ano de 2039.
Considerado o principal projeto aeroportuário do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o leilão é visto como estratégico para reestruturar e impulsionar o Galeão após anos de dificuldades operacionais e financeiras.
Mudança no modelo e saída da Infraero
Uma das principais mudanças previstas no edital é a saída da Infraero da concessão. Atualmente, a estatal detém 49% do negócio, enquanto os outros 51% estão nas mãos da Changi e da Vinci, que ampliou sua participação em 2025.
Com o novo modelo, a operação passará a ser 100% privada, o que aumentou o interesse do mercado. Especialistas apontam que essa alteração reduz entraves e torna o ativo mais atrativo para investidores internacionais.
O formato adotado pelo governo foi o de “venda assistida”, solução encontrada para reequilibrar o contrato vigente. Por isso, os atuais operadores foram obrigados a apresentar proposta mínima para participar da disputa.
Acordo com TCU viabilizou novo leilão
A realização do leilão só foi possível após um acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), dentro de um processo conduzido pela Secretaria de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos.
O entendimento buscou reequilibrar economicamente a concessão, atualizar cláusulas contratuais e destravar investimentos considerados essenciais para o futuro do aeroporto.
O novo modelo pretende dar sustentabilidade ao contrato e garantir a retomada do crescimento do Galeão, que sofreu forte impacto durante a pandemia e anos anteriores de baixa movimentação.
Recuperação do fluxo e potencial de crescimento
Apesar das dificuldades passadas, o Galeão vem apresentando recuperação consistente no fluxo de passageiros. Em 2025, o aeroporto registrou 17,5 milhões de viajantes, o maior número desde o início da série histórica, em 2000.
O volume representa um crescimento de 23,5% em relação a 2024, quando o terminal recebeu 14,2 milhões de passageiros. Ainda assim, a movimentação segue abaixo da capacidade instalada, estimada em 37 milhões por ano.
O aumento recente foi impulsionado, principalmente, por restrições operacionais no Aeroporto Santos Dumont, que redirecionaram parte significativa dos voos para o Galeão, fortalecendo sua relevância no cenário nacional.