Foto: Sesapi
Um paciente que perdeu o movimento das pernas após um acidente de motocicleta, em Parnaíba, pode se tornar o primeiro do Piauí a receber a polilaminina, medicamento experimental com potencial de regenerar lesões na medula espinhal, mas aguarda transferência para Teresina para realizar exames dentro do prazo necessário para o tratamento.
O Cidadeverde.com entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) para obter informações sobre a regulação do paciente e aguarda resposta.
O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) informou, por meio de nota, que o paciente está estável, consciente e recebe toda a assistência necessária. Segundo a unidade, após avaliação por neurocirurgião, foi indicada a transferência para um hospital de alta complexidade em Teresina, referência para o procedimento cirúrgico.
Ainda de acordo com o hospital, a transferência já foi solicitada à Central de Regulação e o paciente ocupa a primeira posição na fila, aguardando a liberação de vaga. A unidade destacou que a remoção será realizada com segurança assim que houver disponibilidade. Confira a nota na íntegra ao fim da reportagem.
Entenda o caso
Antonio Luis Alves está internado no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) desde o acidente e sofreu uma lesão na altura da vértebra T6, o que causou paralisia dos membros inferiores. Ele precisa ser transferido para Teresina, onde deve realizar uma ressonância magnética, exame essencial para definir se poderá receber a medicação.
A possibilidade de uso da polilaminina surgiu após uma mobilização iniciada pela médica veterinária Raissa Alves, da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), que é próxima do paciente e já acompanhava estudos sobre a substância.
“Esse estudo começou em cães, e eu já conhecia. Quando soube do caso, liguei uma coisa à outra e fui em busca dessa possibilidade”, relatou.
Segundo ela, houve contato com a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, que se dispôs a enviar a medicação sem custos, caso haja indicação médica.
No entanto, o uso do medicamento depende de um laudo que ainda não foi emitido.
“O paciente não conseguiu realizar a ressonância em Parnaíba, e estamos aguardando a regulação para Teresina para conseguir esse exame e o laudo”, explicou.
De acordo com Raissa, o tempo é um fator decisivo para que o paciente possa ter acesso ao tratamento. “Sem a transferência, o paciente pode perder a janela de tempo necessária para receber o tratamento”, afirmou.
Ela acrescenta que, sem a transferência, não é possível concluir a avaliação médica nem formalizar o pedido da medicação.
“Precisamos do laudo e da solicitação médica para encaminhar ao laboratório. Sem isso, não conseguimos avançar”, disse.
A professora informou ainda que o paciente já teria indicação cirúrgica e que, caso a lesão completa seja confirmada após o exame, ele pode atender aos critérios para uso do medicamento.
Entenda o medicamento
A polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo. Pesquisas indicam que ela pode ajudar na regeneração das células da medula espinhal, favorecendo a reconexão dos neurônios após lesões graves.
O medicamento ainda está em fase de estudos clínicos e não possui liberação ampla para uso, sendo aplicado em casos específicos, mediante indicação médica.
No Brasil, pacientes já conseguiram acesso à substância por meio de decisões judiciais, principalmente em casos graves de lesão medular.
Nota à Imprensa
Parnaíba-PI. 24 de março de 2026
Nota de Esclarecimento — Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA)
O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) esclarece que um paciente vítima de acidente de trânsito encontra-se internado na unidade, recebendo toda a assistência necessária ao seu quadro clínico.
Após realização de exames e avaliação por médico neurocirurgião, foi indicada a transferência para hospital de alta complexidade em Teresina, referência estadual para o procedimento cirúrgico necessário. O paciente está estável, consciente e com sinais vitais preservados, sob acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional.
A transferência já foi devidamente solicitada à central de regulação estadual. No momento, aguarda-se a liberação de vaga, sendo que o paciente ocupa a primeira posição na fila de regulação. A remoção será realizada com segurança e suporte assistencial adequados assim que a vaga for disponibilizada.
Todas as condutas adotadas seguem rigorosamente os protocolos médicos e a avaliação da equipe especializada responsável pelo caso.
O HEDA reafirma seu compromisso com a assistência integral e segura, mantendo acompanhamento contínuo do paciente até a efetivação da transferência, bem como diálogo permanente com os familiares.
Assessoria de Comunicação — HEDA